TRIÂNGULO DA REFLEXÃO

Marília Silva

esse triângulo fazem parte os livros Amanhecer Esmeralda, de Ferréz (2005, editora Objetiva), um jovem que faz parte de uma nova geração de escritores, autor dos livros Capão do Pecado e Manual Prático do Ódio; O Menino Marrom, de Ziraldo (1986, editora Melhoramentos), o mesmo autor da obra Menino Maluquinho; e História da Preta (1998, editora Cia das Letras), de Heloísa Pires Lima, que atualmente se dedica a escrever livros infanto-juvenis, mas já trabalhou como psicopedagoga e foi uma das diretoras da escola IBEJI.

Amanhecer Esmeralda conta a história de uma menina negra, cujo nome é Manhã, pobre, triste e sem auto-estima e que morava na periferia da cidade de São Paulo. Na escola não fazia a menor questão de se fazer presente. A ilustração do livro representa com sucesso esses sentimentos da personagem através das cores preto e branco.

O professor de Manhã é quem dá o primeiro passo para colorir a vida dessa menina. É ele que leva Manhã a descobrir sua beleza e a dar cor também à vida de seus familiares e vizinhos.

O livro Amanhecer Esmeralda, possibilita reflexão sobre a posição do negro na sociedade de hoje, diferente da história O Menino Marrom, que gira em torno de dois amigos, um negro e o outro de cor-de-rosa que juntos vão fazendo muitas descobertas sobre suas diferenças e semelhanças porque um é sempre chamado de preto e o outro de cor-de-rosa.

Entre uma descoberta e outra dos meninos, Ziraldo com sua eterna meninice se envolve contando suas experiências de criança deixando essa história ainda mais atraente.

O leitor vai crescendo com esses dois meninos nessa busca constante de respostas, em que a diferença de raça não é problema para que os meninos construam um laço de amizade, pelo contrário, é essa diferença que os leva a fortalecer ainda mais essa união.


Amanhecer Esmeralda, Ferréz

Fechando o “triângulo da reflexão” em alto nível, a História da Preta traz ao leitor a história do negro no Brasil, através da simpática Preta.

Preta levanta diferentes questionamentos sobre a visão que foi construída historicamente do negro na sociedade, é a partir destas informações que a escritora conta com uma linguagem agradável a história do povo africano, suas diferentes etnias, sua religiosidade, sua perda de identidade por ter sido retirado da sua terra em que um dia foi rei.

Preta faz uma emocionante pesquisa sobre o negro, buscando encontrar ali sua história. Há momentos em que ela se entristece por imaginar que dentro da construção da árvore genealógica de sua família, pode ter existido algum familiar que foi responsável por tantas lágrimas e sangue derramado.

Esses três livros se completam, formando um ótimo material para reflexão sobre a cultura negra no Brasil, pois retratam o negro como um indivíduo merecedor de respeito como qualquer outro ser humano.


Histórias da Preta, Heloisa Pires Lima

O menino marrom, Ziraldo

Para saber mais:

http://ferrez.blogspot.com/2006/03/amanhecer-esmeralda.html

http://ziraldo.com/

 


VENDO POR OUTRO LADO

Virlane de Souza Santos

ivemos em um país com várias etnias: africana, asiática, indígena e européia. Somos herdeiros de valores e princípios dessas culturas e constituímos uma nação miscigenada, onde é marcante a presença afro-brasileira. De acordo com IBGE, em 2002, os auto-identificados como afro-descendentes representavam 45% da sociedade brasileira.

Essa população de afro-descendentes não é suficiente para garantir um ambiente igualitário. Agrava a situação a constatação de que não conhecemos de fato a história afro-brasileira, o que gera uma grande desvalorização dessa cultura.

Qual é então o papel da escola enquanto instituição social em meio a essa questão? Ela tem a responsabilidade, mediante a lei, de assegurar o direito a todo e qualquer cidadão à educação, sem nenhuma forma de discriminação.

Vendo por essa perspectiva, a escola deve ter uma educação que escolha a diversidade de cultural, tratando da cultura dos povos indígenas, dos asiáticos, os europeus e dos africanos que contribuíram, de forma tão bela, para a construção do nosso país.

O espaço escolar precisa garantir que esse contexto histórico não seja apenas abordado de maneira resumida ou incompleta, resultando numa imagem congelada do negro como pobre, escravo, marginalizado e submisso ao branco.

Constatamos no dia-a-dia que essa continua sendo a imagem que se consolidou ao longo do tempo e que estamos acostumados a ver na maioria dos livros escolares. Assim, a escola tem uma função importante, que é a de oferecer um espaço onde todos se sintam incluídos sem se sentirem obrigados a negarem a si mesmos.

A escola deve ser um lugar de troca de conhecimentos entre negros, brancos, índios e tantos outros grupos étnicos.

O professor contribui com um papel preponderante na eliminação desse estereótipo, dando a ao negro um nome dentro da sua história, garantindo sua identidade e retomando junto aos alunos seus registros culturais.

O professor deve oferecer aos estudantes a oportunidade de identificar as influências culturais africanas em seu modo de viver e ser e, ao negro, a valorização de sua história no espaço escolar, construindo, assim, uma nova forma de olhar o negro no meio social em que vive.

Resgatar a verdadeira cultura afro-brasileira é dar um novo significado para essa história para que todo e qualquer cidadão tenha uma nova perspectiva de vida em uma sociedade mais justa e igualitária
.

Para saber mais:

http://www.mundonegro.com.br

 

PARCERIA PARA INCENTIVO À LEITURA

Maria Cristina Alves de Souza

ONG Ler é Saber e o Metrô, em parceria, criaram há mais de dois anos um projeto chamado “Embarque na Leitura” para incentivar a leitura de livros.

Segundo Thais Fernandes, bibliotecária da biblioteca da estação do metrô Tatuapé, ”o idealizador do projeto, William Mackel, diretor da ONG Ler é Saber, iniciou esse trabalho no Poupa Tempo de Santo Amaro, quando observou os baixos índices de leitura no país. A parceria com o Metrô é mais recente e foi uma maneira de espalhar o projeto pelas estações de metrô da cidade e atingir um público maior.”

Hoje o projeto conta também com o apoio do governo Federal. Além das bibliotecas das estações do metrô, existem várias outras unidades espalhadas pela cidade de São Paulo.

Só na unidade do metrô Tatuapé, são cerca de 6000 usuários cadastrados. Desses, cerca de 2500 a 3000 são usuários mensais. E do total de livros emprestados mensalmente, 300 são sobre etnias.

”Os adolescentes que vêm à biblioteca só procuram livros sobre etnias quando precisam fazer trabalhos escolares. Mais freqüente é a procura de livros sobre temas como os Mangás, revistas em quadrinhos japonesas, e temas do momento, que se tornam modismo entre os jovens”, explica Thaís.

Segundo Thais, o número de crianças que vem à biblioteca é muito pequeno. Poucos pais trazem seus 

filhos. E a bibliotecária comenta: ”além das escolas, os pais têm grande influência no hábito da leitura”.

Cerca de 10 professores da rede pública utilizam a biblioteca do metrô Tatuapé mensalmente, para tomarem emprestados livros sobre etnias. Atualmente, a cultura mais procurada é a Árabe, outras como a indígena, a afro ou a japonesa têm uma procura maior quando seus livros ficam expostos na vitrina da biblioteca, afirma Thais.

Os usuários podem permanecer com os livros até 10 dias podendo renovar por três vezes seguidas o mesmo livro. E podem também sugerir compras de novos livros para o acervo da biblioteca.

Thais finaliza a entrevista dizendo que ”os filhos desses leitores serão bons leitores”, referindo-se aos adolescentes que utilizam a biblioteca.

Para saber mais:

www.brasilleitor.org.br

www.metro.sp.gov.br

 

Imagens

Maria Cristina Alves de Souza

http://www.submarino.com.br/

http://ziraldo.com/

http://www.editoras.com/objetiva/696-0.htm

http://www.geocities.com/thomas_hobbs2/brazil/bahianas.jpg