Samantha Schall

UM PASSEIO NO JARDIM DE MONET

m 1992 a editora Salamandra lançou Linéia no jardim de Monet, das suecas Christina Björk e Lena Anderson, o primeiro e bem sucedido título da coleção Jardim dos pintores, uma introdução às artes plásticas para crianças. 

Baseado nesse livro, o filme de mesmo nome, conta a história de Linéia, uma menina sueca que tem um amigo mais velho, um jardineiro aposentado. Todas as tardes ela vai à sua casa tomar chá e folhear seus livros, dentre eles um fascinante sobre Monet e suas obras. 

De tanto falarem sobre o pintor, flores e quadros, os dois resolvem com suas 

economias viajar para Paris. Chegando lá, eles conhecem a casa de Monet, as plantas e flores do jardim cultivadas por ele e a ponte japonesa retratada em muitos de seus quadros. Passeiam por Paris e por alguns pontos turísticos, contando suas histórias.

O filme estabelece uma relação afetiva com as artes. Apresenta não somente o pintor, mas sua casa e família, aproximando o espectador do artista. Informa sobre o movimento impressionista e explica as obras de Monet de modo muito leve. As aulas sobre arte são muito sutis. Revelam-se no modo como a menina vê o quadro de Monet, nos comentários e histórias do amigo, por exemplo. Os personagens chegam a discutir técnicas de pintura que o artista utilizou, mas numa linguagem que as crianças entendem. Vale lembrar da cena em que Linéia se depara com a obra Ninféias, e não entende como ele podia pintar de modo que “borrões de tinta” vistos de perto se tornam, de longe, flores perfeitas. 

O filme também debate como podemos ter diferentes impressões sobre uma mesma coisa, paisagem ou pessoa. O próprio Monet pintou de diversas formas e por muitas vezes uma única ponte japonesa. 

Com linguagem fácil, a intenção do filme é de cativar pequenos espectadores e falar sobre história e arte. Com exceção dos coloridos das pinturas de Monet, o filme tem predominância de tons pastéis e pouco ruído. A narrativa tem um tempo diferente, sem agitação ou pressa. 

Exibido a crianças de 3 a 4 anos de uma creche de São Paulo, foi a sensação entre alunos e pais. Alguns queriam se mudar para a casa de Monet, onde a cozinha é toda amarela. Outros, queriam tantos irmãos quanto os filhos do pintor. As educadoras da creche o inseriram em seu Projeto Primavera e com ele puderam abordar temas variados, como cores, flores, plantas, etc. O resultado foi surpreendente e deixou uma certeza: Monet foi o primeiro pintor a ser estudado, mas sem dúvida não o último.

Linéia no jardim de Monet
Gênero
: Infantil 
Duração
: 30 min. 
Ano de produção
: 1992 (Suécia)
Distribuição
:Escola No Cinema 
Direção
: Christina Bjork, Lena Anderson, 
Elenco
: Nancy Evans, Sam Gray, Alicia Powers, 
Erin Torpey, Max Warmflash.
Colorido
Idioma
: Português 


  "Le Bassin aux nymphéas"
  Claude MONET 1899
Art Museum
Princeton University, New Jersey
     www.intermonet.com




"Nymphéas, effet du soir"
     Claude MONET 1897
     Musée Marmottan, Paris

     www.intermonet.com 

"Le Jardin de Monet, les iris"
Claude MONET 1900
Musée d'Orsay, Paris
www.intermonet.com



CINEMA INFANTIL EM CENA

os dias atuais, os meios de comunicação bombardeiam o espectador com imagens. Imagens que expressam valores e conceitos. Nesse mundo contemporâneo tão visual, o cinema é uma forte fonte de conhecimento, tão importante quanto os livros, a televisão ou a internet.

O debate entre educação e comunicação exige repensar a própria instituição escolar, uma vez que a escola deixou de ser o único espaço construtor de conhecimento.

Os filmes podem ser objetos de reflexão. É preciso aprender a ligar a sala de cinema à sala de aula. A escola pode funcionar como possibilitadora do contato com a cultura do cinema.

O Festival Internacional de Cinema Infantil, em sua terceira edição, é um exemplo de evento de cinema de qualidade dedicado às crianças. O festival traz para crianças imagens realizadas por criadores de diferentes nacionalidades. Há animações da Rússia, Dinamarca, França, Alemanha, Espanha, Finlândia e Suécia. No ano de 2005, o Brasil foi representado por produções de crianças, que criaram  filmes como A velha a fiar e Portinholas.  

Os filmes selecionados para a mostra são dublados exclusivamente para participarem do evento. Os textos são trazidos ao Brasil, são traduzidos e dublados. São, então, levados ao país de origem dos desenhos para serem unidos à imagem. O processo é caro e trabalhoso. 

O evento é único no Brasil. É a oportunidade de abrir as portas do país para o cinema que é feito no mundo para o público infantil. 

As crianças formam um mercado consumidor grande, que está repleto de superproduções internacionais. No Brasil, o cinema voltado para a criança é dominado por Renato Aragão e Xuxa. O primeiro, teve quase 120 milhões de espectadores na bilheteria de um dos seus 41 filmes. Os dois têm em comum o apoio da grande mídia - a televisão. Por ter de competir com produções norte-americanas, os filmes infantis nacionais acabam por reproduzir os cenários e as linguagens da televisão, em busca de maior aceitação. 

O cinema deve ser visto como um instrumento a serviço da educação e da transformação social. O cinema educativo poderia trazer benefícios pedagógicos aos alunos, ao mostrar de forma mais real diversos conteúdos que são estudados na escola.

Segundo o produtor John Grierson, que foi um defensor do uso pedagógico do cinema, a educação que se baseia somente nos direitos individuais tem por conseqüência a irresponsabilidade social, formando cidadãos voltados unicamente para seus objetivos particulares, sem pertencerem a um grupo e voltados para seu mundo pessoal.

Os filmes infantis deveriam deixar de subestimar a inteligência das crianças, dar mais importância ao conteúdo e perceber sua influência sobre a formação do homem. 

MONET

ascido em 14 de novembro de 1840, Claude Monet começou a pintar jovem. Com a ajuda de uma tia, foi estudar arte em Paris, onde conheceu Camille, com quem teve um filho chamado Jean. 

Monet tinha um casal de amigos ricos, Alice e Ernest Hochedé, que compraram muitos de seus quadros. Falido, Ernest deixou o país, a mulher grávida e os cinco filhos. Nessa mesma época, depois de dar a luz ao segundo filho do pintor, Camille teve tuberculose e faleceu. Alice Hochedé e Monet resolveram ficar juntos e se mudaram com os oito filhos para a casa rosa em Giverny. Após a morte de Ernest, os dois se casaram. 

Nessa época, a pintura de Monet começava a ficar famosa e a venda dos quadros sustentava a família e os empregados. Ele pintava o mundo que observava de acordo como a luz incidia sobre os objetos, paisagens e pessoas. Os críticos o chamaram de impressionista, o que na época, não era um elogio. 

Em 1923 Monet operou a catarata do olho direito e submeteu-se a duas outras intervenções que o levaram a usar óculos. Mesmo assim continuou trabalhando com entusiasmo e vigor. 

Uma nova enfermidade nos olhos o levou ao leito e a ficar debilitado. Faleceu, então, em 5 de dezembro de 1926.  


"Une Allée du jardin de Monet, Giverny"
Claude MONET 1902
Österreichische Galerie, Vienna, Austria
www.intermonet.com